SÓ POESIA

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A HORA ZERO





Altas horas. A hora tardia...
O tempo parou, fecharam-se as cortinas.
Um palco vazio, uma luz tremulando.
Arrasta-se a noite em lenta agonia.

O cenário sumiu, sumiu a platéia.
O vento uivando sussurra segredos.
Em vôo rasante uma sombra sinistra,
Um morcego gigante em câmera lenta.

Um segundo congelado no infinito.
De um grito engasgado a um uivo contido.
O universo paralelo escancara suas faces
Entre expressões sombrias e retorcidas.

Meus pensamentos fragmentados em
Milhares de pedaços.
Um quebra-cabeça que nunca se fecha.
Uma vida inteira contida em um frasco,
De veneno que mata pouco a pouco a cada dia.

Primeiro um ponto quase invisível,
Crescendo e aprofundando na velocidade da bala.
Um corpo caindo em um abismo sem fundo,
Da terra ao inferno numa fração de segundo.

Dezenas de anos passando num estalo.
O tribunal faz as contas e cobra a fatura.
Uma vida, uma promessa, sementes que queimam,
Com o fumo que pulmões doentios aspiram.

Entre o lazer e o suicídio uma questão semântica.
A diversão custa caro, nem um pouco romântica.
Se bebo um trago, se uma vida estrago,
O holocausto é preço, o extermínio eu pago.

Os flashes de neurônios explodindo,
Dentro do meu cérebro condenado.
Uma vendeta implacável se repetindo,
Todo dia, a cada minuto... Até a hora zero

A hora zero. O julgamento final
A consciência face a face com SUA VERDADE..

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