SÓ POESIA

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domingo, 20 de maio de 2012

Decifra-me Ou Te Devoro




Insisto mesmo sem razão ou certeza
Guerra provoco quando chego de estalo
Não tenho respeito pelo saber e conhecimento
Olho para o mundo e não vejo nada... Nada
Rio e caçôo dos sábios e dos tolos
Ainda que me provem o contrário eu não me abalo
Não sei de nada e nem quero saber
Creio sempre que nada faço ou digo de errado
Isto tudo que eu disse acima, afirmo e confirmo
Agora descubra quem sou ou contigo me caso


                          João Drummond

segunda-feira, 30 de abril de 2012

ÚLTIMA VISITA





 Volto ao velho casarão
De portas emperradas,
De vidraças esquecidas.

Nos cômodos sem hóspedes,
Os móveis ociosos
E carcomidos pelo tédio
Ruminam os segundos,
Petrificam o tempo.

Pelos ermos corredores,
Meus passos adormecidos,
Em lembranças maltrapilhas,
Não suscitam ecos.

Na cozinha, o fogão,
Gato siamês,
Hiberna-se nas cinzas.

Na escada para o quintal,
Faltam pessoas,
Faltam degraus
E o alarido das crianças...

Na mangueira ressequida,
A gangorra sem sombra,
Em uma corda só,
Jaz na inércia
Do sonho inatingido.

Urge que eu me desfaça
Das chaves, das correntes
E que eu parta
Sem jamais me esquecer
De nunca mais voltar.


Poema de Luiz Dias de Vasconcelos, 
1º lugar concurso Augusto dos Anjos 2011
Leopoldina - MG

sábado, 28 de abril de 2012

O Mundo do Poeta





Ao poeta restaram as palavras...
Poéticas, proféticas, amorosas, raivosas,
Tristonhas, bisonhas, intrusas, reclusas
Palavras de euforia.
Palavras de alforria.
Palavras que libertam, acobertam,
Ofendem, matam, desmatam.
Palavras que constroem e destroem.
Que correm com os ventos e os eventos.
Palavras que param estagnadas,
Paralisadas, sussurradas.
Palavras que desafiam, fiam.
Palavras que anoitecem e amanhecem,
Com o mesmo tom indignado,
Com a mesma cara lavada.
Palavras como véu transparente
Ou como mortalha deprimente.
Palavras faladas com louvor
Ou gritadas com horror.
Benditas, malditas, ditas.
Palavras pensadas, repensadas.
Palavras inconseqüentes, delinqüentes.
Palavras molhadas, geladas.
Pueris, sutis, profundas, fecundas
Resolutas, impolutas,
Indecisas, incisivas,
Pertinentes, insolentes.
Arrogantes, intrigantes,
Destrutivas, emotivas,
Emproadas, emboladas,
Pacifistas, belicistas.
Pensando bem, ao Poeta
Restaram todas as palavras
Não lhe faltou nada... Nada


domingo, 25 de março de 2012

Heróis Sem Honra



Por um momento
A imagem rompeu os ares
Cortou os mares.

Num instante
O som vibrou na noite
Cumpriu um pernoite

Uma boca aberta.
Da voz que grita
Rouca e aflita

Guerreiros cansados
Da aventura atroz
Temendo o algoz

Inertes em cova solene
Seu plácido repouso
Em sono perene

Esta é a digna batalha
Sem brio e bandeira
Que cobriu sua mortalha.

Pra que vencer uma luta
Por um Brasão sem face
Por uma arma injusta?

Disseram ao herói
— Mata o inimigo
Mirando no umbigo.

Não olhar nos olhos
Que rubros de sangue
Afogam-se no mangue.

Esta é sua sina
Soldado de chumbo
Tocador de bumbo.

Marchar e cantar
Em ordem unida
Até o sono encontrar.

Seu premio e sua prova
Uma medalha de bronze
No escuro de uma cova.

Aqui, para sempre jaz
Seus ossos dormentes
Seus sonhos dementes.


        João Drummond