SÓ POESIA

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terça-feira, 8 de junho de 2010

Coração Fechado




Olá
Pensei em te ligar
Mas não o fiz.
Não sei dizer por quê.
Tenho tanta coisa
Pra te falar,
Tantas palavras que
Buscam saída
Desta boca que
Fecha-se, amordaçada
Por duvidas e incertezas
Porque este desafio inútil?
Esta fala tão fútil?
Esta necessidade de ter
Algo importante pra dizer...
E não dizer?
E o tempo quase sempre
Adiado se transforma em
Tribunal de acusação
Que nos condena
Na prisão do silêncio
De um coração que se fecha
De uma boca que se cala

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Vozes de Gaza


Vozes De Gaza

Vozes se levantam contra razões insanas.
Aspiram ansiosas por vontades impolutas.
Mergulham suicidas em fontes profanas.
Caminham sem eira nem beira, resolutas.


O caminho é incerto, a luta injusta.
Contra o arbítrio o sabre se alevanta.
Palavras que voam em medida justa.
Contra o alvo vencido da guerra santa.


Porque mãos postas que ao céu se erguem,
Às seitas venerandas em incontido louvor,
Seqüestram, matam, apedrejam e soerguem,
Muros de vergonha e bandeiras ao terror?


Sob um céu de infinitas tempestades,
Tinta de sangue em lamina cortante.
Da boca que clama por vãs potestades
Cresce o delírio em clamor berrante.


Um profeta dormente em delírio astuto,
Promete ao homem-bomba sobranceiro,
Cem virgens por merecimento justo,
Num céu de paz e repouso derradeiro.


Uma guerra milenar que se arrasta.
Povos que se dizem de Deus, tementes
Tendo á sua frente uma fé devasta,
Violência maior espalhando sementes.


Jerusalém, Palestina, Terra Santa
Geradas em berço de ódios delirantes
Sua paz é tardia, sua luta é tanta,
Num cemitério de vozes suplicantes.


Milhares de almas ao desalento.
Esta é sua herança e seu legado.
Soprando pelos desertos, ao vento.
Em desespero a um povo renegado.

Esta luta que nunca termina
Sem vencedores e nem vencidos
Fazem-me transformar em rimas
O choroso lamento dos desvalidos.



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

EU SOU


 
De madrugada
Um rosto sinistro
Com voz embargada
Me segue atento
Vigia meus passos.
Em ritmo lento
Uma sombra alada
Saída do nada
Olhar sonolento
Flutua na praça.
Meus passos cadentes
Batendo no asfalto
Contidos, urgentes
Olhando pro alto.
No escuro da noite
Ao som do açoite
Sem pressa nem pena
Uma voz me condena.
E eu, escorrendo no ralo
Com olhar de regalo
Fugindo em silencio
Correndo de mim.
Um monstro sombrio
Sem forma nem brio
Com jeito, demente
E cara de gente.
Presa e predador
Caça e caçador
Criatura e criador.
Somos multidão.
Este sou eu.

João Drummond





domingo, 14 de fevereiro de 2010

ENQUANTO VOCÊ DORMIA...



Enquanto você dormia, projetei meus pensamentos,
Vencendo o espaço vazio,
Invadindo seu sono tranqüilo.

Enquanto você dormia, afrontei a solidão,
Enfrentei a escuridão
E sussurrei nos seus ouvidos.

Enquanto você dormia, conduzidas pelas brisas da noite,
Seguiram palavras doces.
Beijei seu coração.

Enquanto você dormia, meu corpo perdido na bruma,
De uma tormenta noturna.
Prisioneiro sem voz nem razão.

Enquanto você dormia, palavras mudas e sentimentos,
Esvaindo-se na noite escura,
Contra o sorriso cínico da lua.

Enquanto você dormia, a distancia era um detalhe,
Entre um corpo em tormento
E uma alma ao relento.

Enquanto você dormia, uma grande sombra alada,
Cortando a noite gelada,
Clamava pelo seu nome.

Quando rompia a aurora, e o sol despertava indolente,
Meu canto se emudecia
Enquanto você dormia...
E sonhava...



domingo, 7 de fevereiro de 2010

ENTRE AS VEREDAS




  Entre as veredas
A vida corre solta
À céu aberto,
Como um rio que
Corta as entranhas
Das Minas.

Meu cavalo em trote pesado,
Carregando velhas memórias,
Tralhas de um passado turvo,
Como são turvas as águas
De Teobaldo e Diadorim.

Pensamentos cortam
Os ares como balas de “Tatarana”
Numa busca angustiada
Pelo tal destino.

Triste destino
O de cavalgar sobre
Um cavalo alado,
Alazão de pêlo reluzente,
Pelas trilhas de fogo ateado,
Sob o olhar flamejante
De um sol algoz.

E eu um fantasma andarilho,
Com esta missão
Sem brilho, a de levar
Aos povos das veredas,
Que diante da insana
Saga humana, o sertão
Vai se acabar.

E no fim de tarde
Um frágil mugido
Da garganta de um
Boi sedento,
Reclama a chuva que não veio.

Mas veio o sol abrasador,
Veio a queimada,
Veio a lamina cortante

De um homem insensato,
Que a troco de lucro fácil
Destrói o sonho sertanejo.

Uma lua em cativeiro chora,
E se um dia o poeta proclamou
Em lamento, que o mar
Seria o sertão do amanhã,
E que o coração suspeitava
Que o sertão em mar podia
Se tornar,

Pelo trotar de meu cavalo alado
Entre as trilhas de um cerrado
Em fogo, este velho sertanejo
Errante, também em choroso canto,

Alerta que o sertão
Em deserto, enfim pode se transformar.







domingo, 31 de janeiro de 2010

A ULTIMA ALVORADA



                                                                       
A cidade dorme.
Do alto do morro... Em trevas
Vejo seu sono inquieto.
Ouço seu arquejo angustiado.
Pesadelo de retalhadas
Lendas urbanas
Formam no seu cenário
Enevoado, um painel
De sombras Dantescas.
Não posso dormir.
Sentinela de mim mesmo,
Tenho que esperar
Pelo próximo nascer do sol.
E quando um rosto
Desconfiado despontar
Alem da linha horizonte,
Cumprirei meu derradeiro arbítrio.
Levado pelas asas do vento,
À dimensão desconhecida.
Lá onde todos os sonhos
Começam... E terminam.
E nossa voz ecoa como um sopro
De brisa eterna.
Saltar de um inferno para o nada.
Este é o melhor destino
Que nossa consciência,
Esta predadora sanguinária
Deixou-nos como opção.
De um lado, a vida em morte lenta
De outro a morte na vida que corre
Em frações de segundo.
E quando a cidade acordar
Dos seus pesadelos
Estarei vivendo a utopia.
Da ultima alvorada.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

ALEM DO OLHAR



 Um olhar, um sorriso, andar insinuante..
O brilho de uma estrela, a face da lua se
abrindo entre nuvens difusas. O vento em
em mágico sopro sobre seus cabelos.

Meu coração se inflama e se incendeia
Como fogueira ardente de paixão.
Que queima sem controle minhas
Verdades absolutas, minhas certezas.

Não creio em amor à primeira vista,
Então o que me atingiu em face da sua presença?
Que razão explica este seqüestro relâmpago?
O que me priva da lógica e do discernimento?

Talvez , quem sabe uma lógica diferente,
Que só o coração vê e sente, e que está além
da presença, das aparências e muito além
de um simples olhar... além do olhar.

João Drummond


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A POESIA



As Palavras em poesia
Esses pássaros errantes
Sobrevoam frágeis pensamentos.
Invadem a alma em vôo insano.



Batem suas asas, brancas asas,
Sobre emoções contidas.
Espalham no ar seu canto perene.
Provocam sonhos impossíveis.
Afagam um coração em chamas.
Multiplicam-se aos milhares.
E aí... Seguem em revoada
Até se perder na linha do sol.



E o poeta, este navegante audaz
Do seu destino,
Anela seu breve retorno.
Sua caneta é como
Um farol a rastrear
Na escuridão da consciência,
Sentinela insone destes
Passageiros do acaso.







terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A HORA ZERO





Altas horas. A hora tardia...
O tempo parou, fecharam-se as cortinas.
Um palco vazio, uma luz tremulando.
Arrasta-se a noite em lenta agonia.

O cenário sumiu, sumiu a platéia.
O vento uivando sussurra segredos.
Em vôo rasante uma sombra sinistra,
Um morcego gigante em câmera lenta.

Um segundo congelado no infinito.
De um grito engasgado a um uivo contido.
O universo paralelo escancara suas faces
Entre expressões sombrias e retorcidas.

Meus pensamentos fragmentados em
Milhares de pedaços.
Um quebra-cabeça que nunca se fecha.
Uma vida inteira contida em um frasco,
De veneno que mata pouco a pouco a cada dia.

Primeiro um ponto quase invisível,
Crescendo e aprofundando na velocidade da bala.
Um corpo caindo em um abismo sem fundo,
Da terra ao inferno numa fração de segundo.

Dezenas de anos passando num estalo.
O tribunal faz as contas e cobra a fatura.
Uma vida, uma promessa, sementes que queimam,
Com o fumo que pulmões doentios aspiram.

Entre o lazer e o suicídio uma questão semântica.
A diversão custa caro, nem um pouco romântica.
Se bebo um trago, se uma vida estrago,
O holocausto é preço, o extermínio eu pago.

Os flashes de neurônios explodindo,
Dentro do meu cérebro condenado.
Uma vendeta implacável se repetindo,
Todo dia, a cada minuto... Até a hora zero

A hora zero. O julgamento final
A consciência face a face com SUA VERDADE..

domingo, 24 de janeiro de 2010

CIDADE DAS SOMBRAS
















A cidade escancara seus traços dementes.
Pelas praças, ruas e becos, sorrateiras,
Formas fugidias, sombras derradeiras,
Bestas humanas enlouquecidas e delirantes.

Uma onda descontrolada de angustia e medo,
Sobre cidades sitiadas e uma nação rendida,
E uma lei marcial transitada em julgado,
Para assalto, seqüestro, morte e bala perdida.

Uma bebida corrosiva, uma picada infecciosa.
Um grito alucinante de mórbida ansiedade,
E nas ruas congestionadas, veias da cidade
Brotam mutações de uma raça tenebrosa.

Um laboratório de crimes e maldades,
De pequenos delitos aos mais hediondos,
Entra em operação nas zonas das cidades
De valores morais e éticos moribundos.

Um assalto seguido de morte. Um seqüestro...
Relâmpago. Roubos, agressões, canto sinistro,
Mulheres e crianças em pranto. No traçado...
Da cidade os eventos de um enredo desgraçado.


Mais um corpo caído, mais uma morte no beco.
No turbilhão de carros e pessoas, vozes rendidas.
Sons de varias dimensões, num canto grotesco.
Sirenes em agonia cortam as ruas e avenidas.

Mas nos salões em festejos fantásticos, circulando
Entre luzes e medalhas, nobres damas e cavalheiros,
Alheios aos cortejos dos mortos e seus coveiros,
Comemoram em alto estilo... Bebendo e dançando.

Nos presídios, rebeliões, aulas de crimes e maldades.
Suicidas, viciados em drogas, em estranho ritual.
Pelas praças, desfilam bandos de bruxas e beldades,
Trabalhadoras sem carteira a serviço do turismo sexual.

Perambulam pela cidade fileiras descrentes,
Desempregados, esfomeados, indigentes,
Crianças abandonadas, meninas seminuas
Se vendendo por tostões no meio das ruas

Nos quartéis os soldados em eterna prontidão,
A espera de um inimigo através das fronteiras,
Quando uma guerra declarada contra o cidadão
Arrasta-se impune pelas ruas, praças e feiras.

Um ataque maciço coordenado em varias frentes,
Sobre núcleos e sistemas de indecisa autoridade,
Ordens impostas por criminosos de altas patentes
Cortam sem piedade as veias jugulares da Cidade

Mas a festa continua no salão dos “come-e-bebe”,
Saindo do congresso, de mais um dia de votações,
Sanguessugas, mensaleiros, “é dando que se recebe”
Proclamam em alto brado seu rosário de orações.

Tragédias, castigos de voto sem consciência.
Um voto vale qualquer merreca ou besteira,
Mas no Congresso, na Câmara, na Prefeitura
Um vampiro leva as Instituições à falência.

Educação para o povo trás o voto consciente.
Seu voto por um trocado faz o político indecente.
Diz um velho ditado e a experiência confere,
“Cada povo tem o governo e a política que merece”.

O voto, tijolo da construção democrática,
Convertido por alguma alquimia estranha
Num vale tudo, instrumento de barganha
Para conquista da representação política.

Pelas hordas invasoras ataques sem clemência.
Dos seus chefes mais temidos o pior é a corrupção.
Aos poetas e sonhadores a ultima resistência.
Pensamentos e palavras, das letras a revolução.

sábado, 23 de janeiro de 2010

PALAVRAS AO VENTO





























Palavras,
Resolutas, destemidas, proclamadas aos quatro ventos
(Eis o sonho...).
Um grito desesperado ecoou nas entranhas da noite.
Um uivar insistente de cães danados e detentos.
E um som desarticulado, decepado por uma foice.

O que queria se dizer não saiu, ficou estrangulado.
Em alguma zona fantasma, mais um recado se perdeu.
Entre o pensamento e a fala um contrato se rompeu.
Palavra amordaçada, de um cântico aprisionado.

A expressão buscou novas formulas, o verbo se abriu.
As palavras que não foram ditas escoaram pela escrita.
E das mãos deste poeta uma nova estranha boca grita,
Explode de terror, de horror, de negro luto se cobriu.

Esta boca que agora se expressava nos teclados,
Com múltiplos canhões e metralhadora giratória.
Poderoso artefato de combate, estranha oratória.
Tiros certeiros, arsenal de palavras e recados.

Aquela massa pútrida, fétida que fermentava,
Como uma água podre num esgoto subcutâneo,
Rompia as veias de um sombrio subterrâneo,
Daquela alma que demente se expurgava.

A chama ardente com a força de um guerreiro,
Sobre o ferro impuro de uma arma renegada,
Trouxe à luta no campo de batalha derradeiro,
As letras da lei de uma constituição renovada.

E o louco e o sábio gritaram aos ventos
Estranhas palavras que ninguém ouvia,
Despertas de suas angustias e tormentos,
De um tumulo aberto, de uma mortalha vazia.