SÓ POESIA

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segunda-feira, 30 de abril de 2012

ÚLTIMA VISITA





 Volto ao velho casarão
De portas emperradas,
De vidraças esquecidas.

Nos cômodos sem hóspedes,
Os móveis ociosos
E carcomidos pelo tédio
Ruminam os segundos,
Petrificam o tempo.

Pelos ermos corredores,
Meus passos adormecidos,
Em lembranças maltrapilhas,
Não suscitam ecos.

Na cozinha, o fogão,
Gato siamês,
Hiberna-se nas cinzas.

Na escada para o quintal,
Faltam pessoas,
Faltam degraus
E o alarido das crianças...

Na mangueira ressequida,
A gangorra sem sombra,
Em uma corda só,
Jaz na inércia
Do sonho inatingido.

Urge que eu me desfaça
Das chaves, das correntes
E que eu parta
Sem jamais me esquecer
De nunca mais voltar.


Poema de Luiz Dias de Vasconcelos, 
1º lugar concurso Augusto dos Anjos 2011
Leopoldina - MG

sábado, 28 de abril de 2012

O Mundo do Poeta





Ao poeta restaram as palavras...
Poéticas, proféticas, amorosas, raivosas,
Tristonhas, bisonhas, intrusas, reclusas
Palavras de euforia.
Palavras de alforria.
Palavras que libertam, acobertam,
Ofendem, matam, desmatam.
Palavras que constroem e destroem.
Que correm com os ventos e os eventos.
Palavras que param estagnadas,
Paralisadas, sussurradas.
Palavras que desafiam, fiam.
Palavras que anoitecem e amanhecem,
Com o mesmo tom indignado,
Com a mesma cara lavada.
Palavras como véu transparente
Ou como mortalha deprimente.
Palavras faladas com louvor
Ou gritadas com horror.
Benditas, malditas, ditas.
Palavras pensadas, repensadas.
Palavras inconseqüentes, delinqüentes.
Palavras molhadas, geladas.
Pueris, sutis, profundas, fecundas
Resolutas, impolutas,
Indecisas, incisivas,
Pertinentes, insolentes.
Arrogantes, intrigantes,
Destrutivas, emotivas,
Emproadas, emboladas,
Pacifistas, belicistas.
Pensando bem, ao Poeta
Restaram todas as palavras
Não lhe faltou nada... Nada