SÓ POESIA

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domingo, 28 de agosto de 2011

POESIA SETE LAGOAS: Sombras da Noite

POESIA SETE LAGOAS: Sombras da Noite: No meio da noite Sombras flutuam Lépidas, insinuantes Em cada canto escuro Em cada corredor vazio. Estarei sonhando? Estranha impressão...

Sombras da Noite



No meio da noite
Sombras flutuam
Lépidas, insinuantes
Em cada canto escuro
Em cada corredor vazio.
Estarei sonhando?

Estranha impressão
Me persegue.
Como se olhares agudos
Atravessando os limites
Da noite
Fitassem a minha nuca
Em intenção oculta.

Faço sinal da cruz
Desconjuro o suor
Da fronte.
Mas, ao menor cochilo
Ao mais tênue vacilo
As Faces da noite
Em sorrateiro esgar
Assombram-me,
Consomem meus brios.

A noite não prospera
Presa em dois lapsos de tempo
Rostos voláteis invadem
Minha mais recôndita
Memória.
O dia não é uma promessa
E nenhum raio de luz
Vem lançar sobre
Minha angustias
Seu brilho indulgente.
A noite não finda
Sou um prisioneiro eterno
Do meu mais cruel
Pesadelo.

João Drummond







quarta-feira, 1 de junho de 2011

POESIA SETE LAGOAS: Sete Lagoas - A Rainha do Sertão

POESIA SETE LAGOAS: Sete Lagoas - A Rainha do Sertão: "Lagoas refletindo a luz da lua. Entre serras, o sertão te viu nascer. À noite um cruzeiro que flutua. Sete jóias, a nação te viu crescer...."

Sete Lagoas - A Rainha do Sertão




Lagoas refletindo a luz da lua.
Entre serras, o sertão te viu nascer.
À noite um cruzeiro que flutua.
Sete jóias, a nação te viu crescer.

Eu canto esta terra e seus valores,
De trabalho, progresso, e tradição.
Sua gente, sua luta, seus amores,
Pulsando num só coração.

Quando o sol se põe na trilha,
Bandos alados em revoada,
Sobre uma lagoa que brilha,
Ao repique da viola apaixonada.

Terra de lagos encantados,
Talvez na boca de um vulcão.
Soberana de súditos alados.
Reina altiva a rainha do sertão.

De vocação progressista,
Moderna, vistosa, vibrante.
Industrial, anfitriã, futurista,
Empreendedora, estudante.


Das fazendas e seus pastos,
O progresso em outra esteira.
Como mãe de seios bastos,
Floresce a indústria leiteira.

O gusa em caldeiras ardentes,
Alimentando a prosperidade.
A indústria de ferros candentes
Pulsando o coração da cidade.

Das Bandeiras, cortando a terra,
Vapabuçu, a golpes de facão,
À cidade que o futuro encerra.
Sete Lagoas, Rainha do sertão.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

POESIA SETE LAGOAS: Ao Político Ladrão

POESIA SETE LAGOAS: Ao Político Ladrão: " No Brasil do mensalão, Mensaleiro e mensalinho Jacaré nada de costa, Urubu sai de fininho É dinheiro na cueca No calção, no sapatin..."

Ao Político Ladrão







 No Brasil do mensalão,
Mensaleiro e mensalinho
Jacaré nada de costa,
Urubu sai de fininho

É dinheiro na cueca
No calção, no sapatinho
É ladrão que rouba pobre
E se manda de mansinho.

Todo mundo tá roubando
Deputado, desembargador
Do povão vão zombando
Tenha dó governador.

Tem tanto salafrário
Que tiraram da meretriz
Seu trabalho, seu salário
E seu emprego de atriz.

De ladrões e de favores
A política nos ensina
De dim dim e de valores
Contra a ética a chacina.

Chegou a hora do panetone
Já passou da pizza a vez
Põe a boca no trombone
Diz “não sei” e diz “talvez”

Todo mundo tá roubando
Não sobrou nenhum tostão
Deputado tá pelado
Sem vergonha e sem calção.

Passei lá no Planalto
Levando um cesto de fruta
Me levaram de assalto
O bando de filhos da truta.

Vou terminar meu poema
Aos políticos meu refrão
Põe no peito seu emblema
“Eu sou um político ladrão”.


João Drummond
Sete Lagoas - MG 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

POESIA SETE LAGOAS: A HORA ZERO

POESIA SETE LAGOAS: A HORA ZERO: "Altas horas. A hora tardia... O tempo parou, fecharam-se as cortinas. Um palco vazio, uma luz tremulando. Arrasta-se a noite em lenta ag..."

Mares de Minas


Verdes mares de calmas
Vagas... Ondulantes.
Ao longe... bem ao longe
O sertão ao céu responde.

Brancas nuvens entre
Vales e serras verdejantes.
Fecha a tarde tristonha
Entre raios que o sol esconde.

A lua já desperta do sono profundo,
E projeta sobre a mata reflexos dos
Seus raios prateados.
A seriema quebra o silêncio com
Seu canto agudo.

Mágica sinfonia de grilos e sapos
Conta as lendas do cerrado.
O sertanejo com os olhos
Cheios d’água, viola canta
Esta noite em serenata.

O uivo do guará responde
Ao longe... lá bem longe,
Onde na luz da lua,
A serra da mata esconde.

Surfando sobre as copas de
Arvores, em mata cerrada,
Bandos alados buscam
No silencio do entardecer
Um leito de sono seguro.

Mares de Minas, verdes
Vagas, calmas, sussurrantes
Aos ventos que cantam
Nos céus azuis... Oh Liberdade.


João Drummond












sábado, 16 de abril de 2011

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE...



   Eu te juro amor eterno...
Até que a saúde nos separe
A doença nos separe
A alegria nos separe
A tristeza nos separe.

Estarei contigo eternamente...
Até que a rotina nos separe
A mesmice nos separe
A monotonia nos separe
O tédio nos separe.

Acompanhar-te-ei por toda a vida...
Até que a banalidade nos separe
A futilidade nos separe
A superficialidade nos separe
Qualquer coisa nos separe.

Ser-te-ei fiel
Até que a aventura nos separe...
A desventura nos separe
A briga nos separe
A brincadeira nos separe.

Estaremos sempre juntos...
Até que o futebol nos separe
O Shopping nos separe
A cerveja nos separe
Meus amigos nos separem.

Seguiremos unidos na Existência...
Até que a fartura nos separe
A carência nos separe
Nossas opiniões nos separem
Nossa falta de opinião nos separe

Render-nos-emos a eternidade...
Até que o trabalho nos separe
O lazer nos separe
A vida nos separe
A morte nos separe.

Para todo o sempre
Agora e tão somente
Tchau e nunca
Amem...




















domingo, 20 de março de 2011

CIDADE DAS SOMBRAS




A cidade escancara seus traços dementes.
Pelas praças, ruas e becos, sorrateiras,
Formas fugidias, sombras derradeiras,
Bestas humanas enlouquecidas e delirantes.

Uma onda descontrolada de angustia e medo,
Sobre cidades sitiadas e uma nação rendida,
E uma lei marcial transitada em julgado,
Para assalto, seqüestro, morte e bala perdida.

Uma bebida corrosiva, uma picada infecciosa.
Um grito alucinante de mórbida ansiedade,
E nas ruas congestionadas, veias da cidade
Brotam mutações de uma raça tenebrosa.

Um laboratório de crimes e maldades,
De pequenos delitos aos mais hediondos,
Entra em operação nas zonas das cidades
De valores morais e éticos moribundos.

Um assalto seguido de morte. Um seqüestro...
Relâmpago. Roubos, agressões, canto sinistro,
Mulheres e crianças em pranto. No traçado...
Da cidade os eventos de um enredo desgraçado.

Mais um corpo caído, mais uma morte no beco.
No turbilhão de carros e pessoas, vozes rendidas.
Sons de varias dimensões, num canto grotesco.
Sirenes em agonia cortam as ruas e avenidas.

Mas nos salões em festejos fantásticos, circulando
Entre luzes e medalhas, nobres damas e cavalheiros,
Alheios aos cortejos dos mortos e seus coveiros,
Comemoram em alto estilo... Bebendo e dançando.

Nos presídios, rebeliões, aulas de crimes e maldades.
Suicidas, viciados em drogas, em estranho ritual.
Pelas praças, desfilam bandos de bruxas e beldades, 
Trabalhadoras sem carteira, do turismo sexual.

Perambulam pela cidade fileiras descrentes,
Desempregados, esfomeados, indigentes,
Crianças abandonadas, meninas seminuas
Se vendendo por tostões no meio das ruas

Nos quartéis os soldados em eterna prontidão,
A espera de um inimigo através das fronteiras,
Quando uma guerra declarada contra o cidadão
Arrasta-se impune pelas ruas, praças e feiras.

Um ataque maciço coordenado em varias frentes,
Sobre núcleos e sistemas de indecisa autoridade,
Ordens impostas por criminosos de altas patentes
Cortam sem piedade as veias jugulares da Cidade

Mas a festa continua no salão dos “come-e-bebe”,
Saindo do congresso, de mais um dia de votações,
Sanguessugas, mensaleiros, “é dando que se recebe”
Proclamam em alto brado seu rosário de orações.

Tragédias, castigos de voto sem consciência.
Um voto vale qualquer merreca ou besteira,
Mas no Congresso, na Câmara, na Prefeitura
Um vampiro leva as Instituições à falência.

Educação para o povo trás o voto consciente.
Seu voto por um trocado faz o político indecente.
Diz um velho ditado e a experiência confere,
“Cada povo tem o governo e a política que merece”.

O voto, tijolo da construção democrática,
Convertido por alguma alquimia estranha
Num vale tudo, instrumento de barganha
Para conquista da representação política.

Pelas hordas invasoras ataques sem clemência.
Dos seus chefes mais temidos o pior é a corrupção.
Aos poetas e sonhadores a ultima resistência.
Pensamentos e palavras, das letras a revolução.


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Antitese


                                                      

Segue na rua a procissão,
E o vai e vem na calçada,
Das rameiras devotas.
E dos romeiros devassos.
De um lado uma senha divina,
De outro uma sanha danada,
Do ateu que a santa venera,
Ao fiel e a venérea chaga.
De joelhos em preces serenas,
Confere a carteira recheada.
Reza ligeiro o Padre Nostro,
Com o chefe da “cosa nostra”.
A hóstia alimenta o espírito.
A droga, moeda do vicio.
Clama ao Pai pela salvação,
E pede pela mãe um trocado.
Desfralda a bandeira da fé,
Põe a consciência na maré.
Na igreja segue a oração
Na Bolsa comanda o leilão
Acende uma vela a Deus
E outra ao fariseu.
Religião por atacado
Com santo canonizado
Professa uma fé sem bandeira
E faz no espiritual sua carreira
Com as mãos para o alto, contrito
Agradece a Deus... E aos juros.
Será este nosso destino?
Acender uma vela a Deus
E outra... a quem pagar mais.


João Drummond