SÓ POESIA

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quarta-feira, 22 de maio de 2013

O Mundo do Poeta




Ao poeta restaram as palavras...
Poéticas, proféticas, amorosas, raivosas,
Tristonhas, bisonhas, intrusas, reclusas
Palavras de euforia.
Palavras de alforria.
Palavras que libertam, acobertam,
Ofendem, matam, desmatam.
Palavras que constroem e destroem.
Que correm com os ventos e os eventos.
Palavras que param estagnadas,
Paralisadas, sussurradas.
Palavras que desafiam, fiam.
Palavras que anoitecem e amanhecem,
Com o mesmo tom indignado,
Com a mesma cara lavada.
Palavras como véu transparente
Ou como mortalha deprimente.
Palavras faladas com louvor
Ou gritadas com horror.
Benditas, malditas, ditas.
Palavras pensadas, repensadas.
Palavras inconseqüentes, delinqüentes.
Palavras molhadas, geladas.
Pueris, sutis, profundas, fecundas
Resolutas, impolutas,
Indecisas, incisivas,
Pertinentes, insolentes.
Arrogantes, intrigantes,
Destrutivas, emotivas,
Emproadas, emboladas,
Pacifistas, belicistas.
Pensando bem, ao Poeta
Restaram todas as palavras
Não lhe faltou nada... nada


João Drummond

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O Ultimo Poema



Caminhei pelas vilas e cidades
Entre virtudes e maldades
Lutei em todas as rinhas
Batalhas nobres e mesquinhas

Vi pelas frestas das janelas
Matronas e donzelas
De expressões inocentes
E olhares indecentes

Gritei a plenos pulmões
Poemas e palavrões
Viajei pelos sete mares
Respirei todos os ares

Tomei remédios e venenos
Pulei muros e abismos
Ganhei uma grana preta
Perdi tudo na roleta.

Plantei flores, frutos e espinhos
Gerei filhos legítimos e bastardos
De joelhos em lamentos mesquinhos
Pedi perdão pelos meus pecados.

Restou-me uma ultima empreita
A hora do meu melhor recado
Deixo aqui neste poema
O meu derradeiro legado

João Drummond