domingo, 25 de março de 2012

Heróis Sem Honra



Por um momento
A imagem rompeu os ares
Cortou os mares.

Num instante
O som vibrou na noite
Cumpriu um pernoite

Uma boca aberta.
Da voz que grita
Rouca e aflita

Guerreiros cansados
Da aventura atroz
Temendo o algoz

Inertes em cova solene
Seu plácido repouso
Em sono perene

Esta é a digna batalha
Sem brio e bandeira
Que cobriu sua mortalha.

Pra que vencer uma luta
Por um Brasão sem face
Por uma arma injusta?

Disseram ao herói
— Mata o inimigo
Mirando no umbigo.

Não olhar nos olhos
Que rubros de sangue
Afogam-se no mangue.

Esta é sua sina
Soldado de chumbo
Tocador de bumbo.

Marchar e cantar
Em ordem unida
Até o sono encontrar.

Seu premio e sua prova
Uma medalha de bronze
No escuro de uma cova.

Aqui, para sempre jaz
Seus ossos dormentes
Seus sonhos dementes.


        João Drummond


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