domingo, 31 de janeiro de 2010

A ULTIMA ALVORADA



                                                                       
A cidade dorme.
Do alto do morro... Em trevas
Vejo seu sono inquieto.
Ouço seu arquejo angustiado.
Pesadelo de retalhadas
Lendas urbanas
Formam no seu cenário
Enevoado, um painel
De sombras Dantescas.
Não posso dormir.
Sentinela de mim mesmo,
Tenho que esperar
Pelo próximo nascer do sol.
E quando um rosto
Desconfiado despontar
Alem da linha horizonte,
Cumprirei meu derradeiro arbítrio.
Levado pelas asas do vento,
À dimensão desconhecida.
Lá onde todos os sonhos
Começam... E terminam.
E nossa voz ecoa como um sopro
De brisa eterna.
Saltar de um inferno para o nada.
Este é o melhor destino
Que nossa consciência,
Esta predadora sanguinária
Deixou-nos como opção.
De um lado, a vida em morte lenta
De outro a morte na vida que corre
Em frações de segundo.
E quando a cidade acordar
Dos seus pesadelos
Estarei vivendo a utopia.
Da ultima alvorada.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

ALEM DO OLHAR



 Um olhar, um sorriso, andar insinuante..
O brilho de uma estrela, a face da lua se
abrindo entre nuvens difusas. O vento em
em mágico sopro sobre seus cabelos.

Meu coração se inflama e se incendeia
Como fogueira ardente de paixão.
Que queima sem controle minhas
Verdades absolutas, minhas certezas.

Não creio em amor à primeira vista,
Então o que me atingiu em face da sua presença?
Que razão explica este seqüestro relâmpago?
O que me priva da lógica e do discernimento?

Talvez , quem sabe uma lógica diferente,
Que só o coração vê e sente, e que está além
da presença, das aparências e muito além
de um simples olhar... além do olhar.

João Drummond


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A POESIA



As Palavras em poesia
Esses pássaros errantes
Sobrevoam frágeis pensamentos.
Invadem a alma em vôo insano.



Batem suas asas, brancas asas,
Sobre emoções contidas.
Espalham no ar seu canto perene.
Provocam sonhos impossíveis.
Afagam um coração em chamas.
Multiplicam-se aos milhares.
E aí... Seguem em revoada
Até se perder na linha do sol.



E o poeta, este navegante audaz
Do seu destino,
Anela seu breve retorno.
Sua caneta é como
Um farol a rastrear
Na escuridão da consciência,
Sentinela insone destes
Passageiros do acaso.







terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A HORA ZERO





Altas horas. A hora tardia...
O tempo parou, fecharam-se as cortinas.
Um palco vazio, uma luz tremulando.
Arrasta-se a noite em lenta agonia.

O cenário sumiu, sumiu a platéia.
O vento uivando sussurra segredos.
Em vôo rasante uma sombra sinistra,
Um morcego gigante em câmera lenta.

Um segundo congelado no infinito.
De um grito engasgado a um uivo contido.
O universo paralelo escancara suas faces
Entre expressões sombrias e retorcidas.

Meus pensamentos fragmentados em
Milhares de pedaços.
Um quebra-cabeça que nunca se fecha.
Uma vida inteira contida em um frasco,
De veneno que mata pouco a pouco a cada dia.

Primeiro um ponto quase invisível,
Crescendo e aprofundando na velocidade da bala.
Um corpo caindo em um abismo sem fundo,
Da terra ao inferno numa fração de segundo.

Dezenas de anos passando num estalo.
O tribunal faz as contas e cobra a fatura.
Uma vida, uma promessa, sementes que queimam,
Com o fumo que pulmões doentios aspiram.

Entre o lazer e o suicídio uma questão semântica.
A diversão custa caro, nem um pouco romântica.
Se bebo um trago, se uma vida estrago,
O holocausto é preço, o extermínio eu pago.

Os flashes de neurônios explodindo,
Dentro do meu cérebro condenado.
Uma vendeta implacável se repetindo,
Todo dia, a cada minuto... Até a hora zero

A hora zero. O julgamento final
A consciência face a face com SUA VERDADE..

domingo, 24 de janeiro de 2010

CIDADE DAS SOMBRAS
















A cidade escancara seus traços dementes.
Pelas praças, ruas e becos, sorrateiras,
Formas fugidias, sombras derradeiras,
Bestas humanas enlouquecidas e delirantes.

Uma onda descontrolada de angustia e medo,
Sobre cidades sitiadas e uma nação rendida,
E uma lei marcial transitada em julgado,
Para assalto, seqüestro, morte e bala perdida.

Uma bebida corrosiva, uma picada infecciosa.
Um grito alucinante de mórbida ansiedade,
E nas ruas congestionadas, veias da cidade
Brotam mutações de uma raça tenebrosa.

Um laboratório de crimes e maldades,
De pequenos delitos aos mais hediondos,
Entra em operação nas zonas das cidades
De valores morais e éticos moribundos.

Um assalto seguido de morte. Um seqüestro...
Relâmpago. Roubos, agressões, canto sinistro,
Mulheres e crianças em pranto. No traçado...
Da cidade os eventos de um enredo desgraçado.


Mais um corpo caído, mais uma morte no beco.
No turbilhão de carros e pessoas, vozes rendidas.
Sons de varias dimensões, num canto grotesco.
Sirenes em agonia cortam as ruas e avenidas.

Mas nos salões em festejos fantásticos, circulando
Entre luzes e medalhas, nobres damas e cavalheiros,
Alheios aos cortejos dos mortos e seus coveiros,
Comemoram em alto estilo... Bebendo e dançando.

Nos presídios, rebeliões, aulas de crimes e maldades.
Suicidas, viciados em drogas, em estranho ritual.
Pelas praças, desfilam bandos de bruxas e beldades,
Trabalhadoras sem carteira a serviço do turismo sexual.

Perambulam pela cidade fileiras descrentes,
Desempregados, esfomeados, indigentes,
Crianças abandonadas, meninas seminuas
Se vendendo por tostões no meio das ruas

Nos quartéis os soldados em eterna prontidão,
A espera de um inimigo através das fronteiras,
Quando uma guerra declarada contra o cidadão
Arrasta-se impune pelas ruas, praças e feiras.

Um ataque maciço coordenado em varias frentes,
Sobre núcleos e sistemas de indecisa autoridade,
Ordens impostas por criminosos de altas patentes
Cortam sem piedade as veias jugulares da Cidade

Mas a festa continua no salão dos “come-e-bebe”,
Saindo do congresso, de mais um dia de votações,
Sanguessugas, mensaleiros, “é dando que se recebe”
Proclamam em alto brado seu rosário de orações.

Tragédias, castigos de voto sem consciência.
Um voto vale qualquer merreca ou besteira,
Mas no Congresso, na Câmara, na Prefeitura
Um vampiro leva as Instituições à falência.

Educação para o povo trás o voto consciente.
Seu voto por um trocado faz o político indecente.
Diz um velho ditado e a experiência confere,
“Cada povo tem o governo e a política que merece”.

O voto, tijolo da construção democrática,
Convertido por alguma alquimia estranha
Num vale tudo, instrumento de barganha
Para conquista da representação política.

Pelas hordas invasoras ataques sem clemência.
Dos seus chefes mais temidos o pior é a corrupção.
Aos poetas e sonhadores a ultima resistência.
Pensamentos e palavras, das letras a revolução.

sábado, 23 de janeiro de 2010

PALAVRAS AO VENTO





























Palavras,
Resolutas, destemidas, proclamadas aos quatro ventos
(Eis o sonho...).
Um grito desesperado ecoou nas entranhas da noite.
Um uivar insistente de cães danados e detentos.
E um som desarticulado, decepado por uma foice.

O que queria se dizer não saiu, ficou estrangulado.
Em alguma zona fantasma, mais um recado se perdeu.
Entre o pensamento e a fala um contrato se rompeu.
Palavra amordaçada, de um cântico aprisionado.

A expressão buscou novas formulas, o verbo se abriu.
As palavras que não foram ditas escoaram pela escrita.
E das mãos deste poeta uma nova estranha boca grita,
Explode de terror, de horror, de negro luto se cobriu.

Esta boca que agora se expressava nos teclados,
Com múltiplos canhões e metralhadora giratória.
Poderoso artefato de combate, estranha oratória.
Tiros certeiros, arsenal de palavras e recados.

Aquela massa pútrida, fétida que fermentava,
Como uma água podre num esgoto subcutâneo,
Rompia as veias de um sombrio subterrâneo,
Daquela alma que demente se expurgava.

A chama ardente com a força de um guerreiro,
Sobre o ferro impuro de uma arma renegada,
Trouxe à luta no campo de batalha derradeiro,
As letras da lei de uma constituição renovada.

E o louco e o sábio gritaram aos ventos
Estranhas palavras que ninguém ouvia,
Despertas de suas angustias e tormentos,
De um tumulo aberto, de uma mortalha vazia.

Féretro do Poeta

 Becos e ruas Esquinas e ruelas, Trevos e praças, Façam-se avenidas! Alarguem-se, Que ali vem a tristeza. Ermidas e i...