SÓ POESIA

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domingo, 24 de janeiro de 2010

CIDADE DAS SOMBRAS
















A cidade escancara seus traços dementes.
Pelas praças, ruas e becos, sorrateiras,
Formas fugidias, sombras derradeiras,
Bestas humanas enlouquecidas e delirantes.

Uma onda descontrolada de angustia e medo,
Sobre cidades sitiadas e uma nação rendida,
E uma lei marcial transitada em julgado,
Para assalto, seqüestro, morte e bala perdida.

Uma bebida corrosiva, uma picada infecciosa.
Um grito alucinante de mórbida ansiedade,
E nas ruas congestionadas, veias da cidade
Brotam mutações de uma raça tenebrosa.

Um laboratório de crimes e maldades,
De pequenos delitos aos mais hediondos,
Entra em operação nas zonas das cidades
De valores morais e éticos moribundos.

Um assalto seguido de morte. Um seqüestro...
Relâmpago. Roubos, agressões, canto sinistro,
Mulheres e crianças em pranto. No traçado...
Da cidade os eventos de um enredo desgraçado.


Mais um corpo caído, mais uma morte no beco.
No turbilhão de carros e pessoas, vozes rendidas.
Sons de varias dimensões, num canto grotesco.
Sirenes em agonia cortam as ruas e avenidas.

Mas nos salões em festejos fantásticos, circulando
Entre luzes e medalhas, nobres damas e cavalheiros,
Alheios aos cortejos dos mortos e seus coveiros,
Comemoram em alto estilo... Bebendo e dançando.

Nos presídios, rebeliões, aulas de crimes e maldades.
Suicidas, viciados em drogas, em estranho ritual.
Pelas praças, desfilam bandos de bruxas e beldades,
Trabalhadoras sem carteira a serviço do turismo sexual.

Perambulam pela cidade fileiras descrentes,
Desempregados, esfomeados, indigentes,
Crianças abandonadas, meninas seminuas
Se vendendo por tostões no meio das ruas

Nos quartéis os soldados em eterna prontidão,
A espera de um inimigo através das fronteiras,
Quando uma guerra declarada contra o cidadão
Arrasta-se impune pelas ruas, praças e feiras.

Um ataque maciço coordenado em varias frentes,
Sobre núcleos e sistemas de indecisa autoridade,
Ordens impostas por criminosos de altas patentes
Cortam sem piedade as veias jugulares da Cidade

Mas a festa continua no salão dos “come-e-bebe”,
Saindo do congresso, de mais um dia de votações,
Sanguessugas, mensaleiros, “é dando que se recebe”
Proclamam em alto brado seu rosário de orações.

Tragédias, castigos de voto sem consciência.
Um voto vale qualquer merreca ou besteira,
Mas no Congresso, na Câmara, na Prefeitura
Um vampiro leva as Instituições à falência.

Educação para o povo trás o voto consciente.
Seu voto por um trocado faz o político indecente.
Diz um velho ditado e a experiência confere,
“Cada povo tem o governo e a política que merece”.

O voto, tijolo da construção democrática,
Convertido por alguma alquimia estranha
Num vale tudo, instrumento de barganha
Para conquista da representação política.

Pelas hordas invasoras ataques sem clemência.
Dos seus chefes mais temidos o pior é a corrupção.
Aos poetas e sonhadores a ultima resistência.
Pensamentos e palavras, das letras a revolução.

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