SÓ POESIA

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Antitese


                                                      

Segue na rua a procissão,
E o vai e vem na calçada,
Das rameiras devotas.
E dos romeiros devassos.
De um lado uma senha divina,
De outro uma sanha danada,
Do ateu que a santa venera,
Ao fiel e a venérea chaga.
De joelhos em preces serenas,
Confere a carteira recheada.
Reza ligeiro o Padre Nostro,
Com o chefe da “cosa nostra”.
A hóstia alimenta o espírito.
A droga, moeda do vicio.
Clama ao Pai pela salvação,
E pede pela mãe um trocado.
Desfralda a bandeira da fé,
Põe a consciência na maré.
Na igreja segue a oração
Na Bolsa comanda o leilão
Acende uma vela a Deus
E outra ao fariseu.
Religião por atacado
Com santo canonizado
Professa uma fé sem bandeira
E faz no espiritual sua carreira
Com as mãos para o alto, contrito
Agradece a Deus... E aos juros.
Será este nosso destino?
Acender uma vela a Deus
E outra... a quem pagar mais.


João Drummond




                                              

Um comentário:

  1. Olá João!
    Gostei de sua poesia!
    A fé não é expressa por simbologias e sim por uma intimidade com Deus.

    “Para o legítimo sonhador não há sonho frustrado, mas sim sonho em curso” (Jefhcardoso)
    Gostaria de lhe convidar para que comentasse a minha crônica “Hóstia sagrada e água benta”. Ok?
    Jefhcardoso do http://jefhcardoso.blogspot.com

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