SÓ POESIA

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domingo, 7 de fevereiro de 2010

ENTRE AS VEREDAS




  Entre as veredas
A vida corre solta
À céu aberto,
Como um rio que
Corta as entranhas
Das Minas.

Meu cavalo em trote pesado,
Carregando velhas memórias,
Tralhas de um passado turvo,
Como são turvas as águas
De Teobaldo e Diadorim.

Pensamentos cortam
Os ares como balas de “Tatarana”
Numa busca angustiada
Pelo tal destino.

Triste destino
O de cavalgar sobre
Um cavalo alado,
Alazão de pêlo reluzente,
Pelas trilhas de fogo ateado,
Sob o olhar flamejante
De um sol algoz.

E eu um fantasma andarilho,
Com esta missão
Sem brilho, a de levar
Aos povos das veredas,
Que diante da insana
Saga humana, o sertão
Vai se acabar.

E no fim de tarde
Um frágil mugido
Da garganta de um
Boi sedento,
Reclama a chuva que não veio.

Mas veio o sol abrasador,
Veio a queimada,
Veio a lamina cortante

De um homem insensato,
Que a troco de lucro fácil
Destrói o sonho sertanejo.

Uma lua em cativeiro chora,
E se um dia o poeta proclamou
Em lamento, que o mar
Seria o sertão do amanhã,
E que o coração suspeitava
Que o sertão em mar podia
Se tornar,

Pelo trotar de meu cavalo alado
Entre as trilhas de um cerrado
Em fogo, este velho sertanejo
Errante, também em choroso canto,

Alerta que o sertão
Em deserto, enfim pode se transformar.







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