sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O Ultimo Poema



Caminhei pelas vilas e cidades
Entre virtudes e maldades
Lutei em todas as rinhas
Batalhas nobres e mesquinhas

Vi pelas frestas das janelas
Matronas e donzelas
De expressões inocentes
E olhares indecentes

Gritei a plenos pulmões
Poemas e palavrões
Viajei pelos sete mares
Respirei todos os ares

Tomei remédios e venenos
Pulei muros e abismos
Ganhei uma grana preta
Perdi tudo na roleta.

Plantei flores, frutos e espinhos
Gerei filhos legítimos e bastardos
De joelhos em lamentos mesquinhos
Pedi perdão pelos meus pecados.

Restou-me uma ultima empreita
A hora do meu melhor recado
Deixo aqui neste poema
O meu derradeiro legado

João Drummond

domingo, 20 de maio de 2012

Decifra-me Ou Te Devoro




Insisto mesmo sem razão ou certeza
Guerra provoco quando chego de estalo
Não tenho respeito pelo saber e conhecimento
Olho para o mundo e não vejo nada... Nada
Rio e caçôo dos sábios e dos tolos
Ainda que me provem o contrário eu não me abalo
Não sei de nada e nem quero saber
Creio sempre que nada faço ou digo de errado
Isto tudo que eu disse acima, afirmo e confirmo
Agora descubra quem sou ou contigo me caso


                          João Drummond

sábado, 28 de abril de 2012

O Mundo do Poeta





Ao poeta restaram as palavras...
Poéticas, proféticas, amorosas, raivosas,
Tristonhas, bisonhas, intrusas, reclusas
Palavras de euforia.
Palavras de alforria.
Palavras que libertam, acobertam,
Ofendem, matam, desmatam.
Palavras que constroem e destroem.
Que correm com os ventos e os eventos.
Palavras que param estagnadas,
Paralisadas, sussurradas.
Palavras que desafiam, fiam.
Palavras que anoitecem e amanhecem,
Com o mesmo tom indignado,
Com a mesma cara lavada.
Palavras como véu transparente
Ou como mortalha deprimente.
Palavras faladas com louvor
Ou gritadas com horror.
Benditas, malditas, ditas.
Palavras pensadas, repensadas.
Palavras inconseqüentes, delinqüentes.
Palavras molhadas, geladas.
Pueris, sutis, profundas, fecundas
Resolutas, impolutas,
Indecisas, incisivas,
Pertinentes, insolentes.
Arrogantes, intrigantes,
Destrutivas, emotivas,
Emproadas, emboladas,
Pacifistas, belicistas.
Pensando bem, ao Poeta
Restaram todas as palavras
Não lhe faltou nada... Nada


domingo, 25 de março de 2012

Heróis Sem Honra



Por um momento
A imagem rompeu os ares
Cortou os mares.

Num instante
O som vibrou na noite
Cumpriu um pernoite

Uma boca aberta.
Da voz que grita
Rouca e aflita

Guerreiros cansados
Da aventura atroz
Temendo o algoz

Inertes em cova solene
Seu plácido repouso
Em sono perene

Esta é a digna batalha
Sem brio e bandeira
Que cobriu sua mortalha.

Pra que vencer uma luta
Por um Brasão sem face
Por uma arma injusta?

Disseram ao herói
— Mata o inimigo
Mirando no umbigo.

Não olhar nos olhos
Que rubros de sangue
Afogam-se no mangue.

Esta é sua sina
Soldado de chumbo
Tocador de bumbo.

Marchar e cantar
Em ordem unida
Até o sono encontrar.

Seu premio e sua prova
Uma medalha de bronze
No escuro de uma cova.

Aqui, para sempre jaz
Seus ossos dormentes
Seus sonhos dementes.


        João Drummond


domingo, 28 de agosto de 2011

POESIA SETE LAGOAS: Sombras da Noite

POESIA SETE LAGOAS: Sombras da Noite: No meio da noite Sombras flutuam Lépidas, insinuantes Em cada canto escuro Em cada corredor vazio. Estarei sonhando? Estranha impressão...

Sombras da Noite



No meio da noite
Sombras flutuam
Lépidas, insinuantes
Em cada canto escuro
Em cada corredor vazio.
Estarei sonhando?

Estranha impressão
Me persegue.
Como se olhares agudos
Atravessando os limites
Da noite
Fitassem a minha nuca
Em intenção oculta.

Faço sinal da cruz
Desconjuro o suor
Da fronte.
Mas, ao menor cochilo
Ao mais tênue vacilo
As Faces da noite
Em sorrateiro esgar
Assombram-me,
Consomem meus brios.

A noite não prospera
Presa em dois lapsos de tempo
Rostos voláteis invadem
Minha mais recôndita
Memória.
O dia não é uma promessa
E nenhum raio de luz
Vem lançar sobre
Minha angustias
Seu brilho indulgente.
A noite não finda
Sou um prisioneiro eterno
Do meu mais cruel
Pesadelo.

João Drummond







quarta-feira, 1 de junho de 2011

Um Canto de Liberdade

Um Canto de Liberdade A brilhar na escuridão da consciência. Luz tardia e ofuscada pela crença insana. Pelas grades da pr...