segunda-feira, 30 de abril de 2012

ÚLTIMA VISITA





 Volto ao velho casarão
De portas emperradas,
De vidraças esquecidas.

Nos cômodos sem hóspedes,
Os móveis ociosos
E carcomidos pelo tédio
Ruminam os segundos,
Petrificam o tempo.

Pelos ermos corredores,
Meus passos adormecidos,
Em lembranças maltrapilhas,
Não suscitam ecos.

Na cozinha, o fogão,
Gato siamês,
Hiberna-se nas cinzas.

Na escada para o quintal,
Faltam pessoas,
Faltam degraus
E o alarido das crianças...

Na mangueira ressequida,
A gangorra sem sombra,
Em uma corda só,
Jaz na inércia
Do sonho inatingido.

Urge que eu me desfaça
Das chaves, das correntes
E que eu parta
Sem jamais me esquecer
De nunca mais voltar.


Poema de Luiz Dias de Vasconcelos, 
1º lugar concurso Augusto dos Anjos 2011
Leopoldina - MG

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Féretro do Poeta

 Becos e ruas Esquinas e ruelas, Trevos e praças, Façam-se avenidas! Alarguem-se, Que ali vem a tristeza. Ermidas e i...